Emblemas diabólicos de futebol: 5 equipes com o diabo em seus logotipos
Alguns clubes usam leões, águias ou brasões urbanos. Outros vão direto para o inferno.
Demônios, diabinhos e forquilhas são surpreendentemente comuns na iconografia do futebol — às vezes nascidos de lendas locais, às vezes de puro marketing, às vezes de um time jogando “como demônios” em uma época específica. Aqui estão cinco distintivos em que o diabo não é apenas um apelido, mas literalmente parte do brasão.

1. Manchester United — Quando o Red Devil substituiu os “Busty Babes”

A identidade do Manchester United como a “Red Devils” está tão arraigado que é fácil esquecer o quão recente o diabo realmente é em termos de crista.
Durante décadas, o emblema do United foi baseado no brasão da cidade de Manchester: navio, escudo e nenhum demônio à vista. A mudança começa na década de 1960 com Sir Matt Busby, ainda reconstruindo o clube nos anos após o desastre aéreo de Munique. Em busca de uma identidade mais intimidante do que a sonora suave “Busby Babes”, Busby pegou emprestado o apelido de “Red Devils” do Salford, da vizinha liga de rugby, que havia sido apelidado Les Diables Rouges em uma turnê na França.
O diabo aparece pela primeira vez não no brasão principal, mas em programas de jogos e cachecóis — uma figura pequena e estilizada com um tridente que gradualmente se torna associada à nova personalidade do United.
A etapa decisiva ocorre por volta de 1970, quando o emblema do clube é oficialmente redesenhado: o escudo central é simplificado, as três listras verticais desaparecem e um demônio vermelho segurando um forcado assume o centro do palco embaixo do navio.
Em 1973, outro ajuste remove as palavras “Clube de Futebol” da faixa, mas o diabo permanece — e permaneceu no brasão principal desde então, mesmo com a evolução de detalhes como rosas/bolas de futebol e tipografia.
O diabo também surgiu como um emblema independente. O terceiro kit da United de 2024—25, por exemplo, substitui o brasão completo por uma marca solo do Red Devil no peito — um lembrete de quão poderosa aquela silhueta diabólica única se tornou como marca por si só.
2. Lincoln City — O diabinho da catedral que subiu na camisa

O diabo de Lincoln City não é um gigante com chifres, mas uma criatura atarracada e sorridente do folclore medieval: o Lincoln Imp.
No alto da Catedral de Lincoln, um grotesco do século XIII fica de pernas cruzadas em um pilar no Angel Choir. Ao longo dos séculos, uma lenda local cresceu em torno dela: um diabinho travesso enviado pelo diabo para causar o caos na catedral, transformado em pedra por um anjo no meio do tumulto. A figura se tornou o símbolo não oficial da cidade e aparece em toda Lincoln — em lembranças, logotipos cívicos e lendas locais.
O clube de futebol ganhou o apelido de “The Imps” no início do século XX, mas por muito tempo seu brasão foi totalmente convencional, baseado em escudos heráldicos e não na própria criatura. De acordo com as histórias do logotipo, Lincoln City só introduziu um emblema com o Imp em 1971 — relativamente tarde, considerando que o apelido remonta pelo menos à década de 1910.
A partir daí, o clube se inclinou para o personagem:
- 1971—82: uma figura de diabinho mais tradicional aparece na crista.
- Década de 1980 a 90: um Diabrete em pé de desenho animado, com as iniciais do clube e, posteriormente, um distintivo circular ao redor.
- Década de 2010: o clube retorna ao emblema “tradicional” de Imp associado à equipe bem-sucedida de Graham Taylor nas décadas de 1970 e 80, reelevando-o como brasão principal após consulta aos fãs.
O que torna o elemento diabólico de Lincoln único é o quão estreitamente ligado ele é ao lugar. Este não é um demônio genérico: é um monstro muito específico e muito local que apareceu pela primeira vez na pedra da catedral antes mesmo de aparecer em poliéster.
3. Virtus Entella — O Diabo Negro de Chiavari

O Virtus Entella não é um superclube global. Eles são um pequeno time comunitário de Chiavari, na Ligúria, mas seu distintivo é um dos mais inesperadamente diabólicos do futebol italiano.
O apelido deles, Em Diavoli Neri (“The Black Devils”), remonta à década de 1930. O jornalista esportivo Dario Costa — que mais tarde se tornou presidente do clube — cunhou o termo depois de assistir Entella em uniformes totalmente pretos, descrevendo jogadores que pareciam “indiavolati” (possuídos) em sua intensidade. O apelido pegou.
A partir daí, o diabo passou das palavras para as imagens. Em meados do século XX, os Entella estavam usando um escudo de estilo samnita dividido verticalmente em branco e azul claro, com “Entella Chiavari” no topo e, crucialmente, um pequeno demônio preto — tridente na mão, bola nos pés — no centro.
Depois de falências, refundações e uma mudança de nome, o emblema moderno “retorna” ao modelo da era de 1935: o mesmo escudo bipartido azul claro e branco, o mesmo malicioso diavolete preto como mascote.
O diabo não é uma ideia tardia de marketing aqui; é a essência da identidade visual do clube. Notícias recentes na mídia italiana ainda apresentam o logotipo de Virtus Entella como um “demônio negro” que personifica a história e os valores do clube — um demônio um pouco idiota, quase fofo, que parece muito lígure e muito específico de Chiavari, em vez de um emblema genérico intimidador.
4. América de Cali — Quando os Red Devils tiveram que esconder seu demônio

Se você está falando sobre demônios no futebol sul-americano, é impossível ignorar o América de Cali. O apelido deles, Los Diablos Rojos, não é apenas poético — o diabo literalmente vive em seu distintivo.
O brasão mais antigo conhecido do clube na década de 1930 era um mapa da América do Sul dentro de uma moldura circular, refletindo o nome “América” em vez de qualquer tema infernal.
O ponto de virada ocorre no Década de 1940, quando uma nova crista aparece com um demônio vermelho. Relatos contemporâneos dizem que o símbolo foi adotado porque os jogadores do América “jugaban como verdaderos diablos en la cancha” — eles “jogaram como verdadeiros demônios” em campo. O diabo era um símbolo de festa e intensidade, em vez de blasfêmia.
As coisas ficam mais complicadas com a chegada do lendário treinador Gabriel Ochoa Uribe nas décadas de 1970 e 80, o arquiteto da grande era dourada da América. Católico devoto, Ochoa via o diabo na crista como espiritualmente problemático. Sob sua influência, os kits de jogos do América se livraram completamente do diabo e usaram escudos simplificados com apenas as estrelas para conquistar títulos da liga, mesmo quando o clube acumulou campeonatos e disputas na Copa Libertadores.
Por 1992, o diabo foi completamente removido do brasão do jogo e restrito a usos mais administrativos ou institucionais. Então, para o clube 70º aniversário em 1997, a América efetivamente “reabilitou” o diabo, reintroduzindo a figura tradicional nas camisas de fósforo e enquadrando-a explicitamente como um símbolo puramente figurativo baseado na identidade — não uma declaração teológica.
Desde então, a silhueta foi refinada, mas a ideia central permanece: um demônio estilizado em movimento, geralmente com uma bola, emoldurado pela palavra “América” e estrelas-título acima. A certa altura, no 80º aniversário de 2007, até mesmo aquela figura diabólica desapareceu brevemente novamente em favor de um brasão especial de “80 anos” — mas logo retornou.
Poucos emblemas personificam um conflito tão direto entre a cultura religiosa e a marca do futebol: o diabo da América foi adotado, censurado, exilado e finalmente aceito novamente como parte do DNA do clube.
5. AC Milan (1979—1986) — Quando Il Diavolo assumiu a camisa

O AC Milan está associado ao diabo desde sua fundação. Herbert Kilpin escolheu vermelho e preto para representar “o fogo do inferno” e o terror que eles deveriam inspirar nos oponentes; a partir daí, Il Diavolo tornou-se um dos apelidos mais duradouros do clube.
Durante a maior parte de sua história, no entanto, o brasão de Milão não foi um demônio. O emblema tendia a mostrar a bandeira da cidade de Milão (a cruz vermelha em branco associada a Santo Ambrósio) ao lado de listras vermelhas e pretas, com vários ajustes entre as décadas de 1930 e 1970.
Isso muda no final da década de 1970. Depois de vencer seu 10º Scudetto em 1979, o Milan conquistou o direito de usar uma estrela dourada por excelência esportiva acima do distintivo e, ao mesmo tempo, adotar um novo logotipo impressionante do clube: uma figura estilizada do diabo vermelho segurando um tridente, com aquela estrela dourada acima da cabeça.
Esse logotipo “diavoletto” se tornou a principal marca em camisas no início dos anos 1980, usado aproximadamente entre 1979 e 1986 dependendo da fonte. Isso reduz a identidade à pura mitologia — sem cruz, sem listras, apenas o diabo e a estrela, geralmente representados como um simples contorno vermelho sobre branco. Histórias contemporâneas do brasão o listam como o emblema oficial de 1982 a 1986, situado entre o escudo mais tradicional anterior a 1979 e o brasão oval que chega no final dos anos 1980.
Por 1986, enquanto Silvio Berlusconi assume o poder e inaugura uma nova era, o Milan retira o emblema exclusivo do diabo e apresenta o emblema oval que os fãs reconhecem hoje: listras verticais vermelhas e pretas de um lado, a bandeira da cidade do outro, “ACM” e “1899” emoldurando-a.
O diabo, no entanto, nunca desaparece de verdade. O mascote oficial do clube, Milanello, é um demônio vermelho de desenho animado em kit completo e, nos últimos anos, o Milan reviveu o vintage diavoletto logotipo como marca secundária — aparecendo em mercadorias e até mesmo como um detalhe antigo nos kits modernos da Puma, incluindo a linha 2018—19 e a segunda camisa de 2025—26.
Por uma breve janela nos anos 80, porém, o Milan fez o que quase nenhum outro grande clube ousou: colocou o próprio diabo, e nada mais, no distintivo.
